Uma escolha heróica: votar ou ir ao cinema?

 

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No mês de maio o youtuber Felipe Neto comentou a censura do filme Deadpool 2. O Ministério Público, por meio da Classificação Indicativa, catalogou o novo filme do anti-herói como “não recomendado para menores de dezoito anos”. O tweet, que teve mais de 7 mil compartilhamentos, usa como um argumento o poder do voto antes dos 18 anos. Mas será que os jovens cujo voto é facultativo retiraram o título de eleitor ou só querem ver o filme?

A grande participação de jovens em protestos e o engajamento em discussões no Facebook pode nos sugerir que o jovem está participativo, como nas manifestações de 2013, desencadeadas pelo aumento das tarifas do transporte coletivo. Porém, a participação não se estende às urnas.

Um índice que diz muito sobre o engajamento político dos jovens é o número de eleitores de 16 e 17 anos que retiram o título de eleitor. Apesar de a população de 16 e 17 anos ter se mantido estável, em 2010, eram 2,4 milhões de jovens que retiraram o título de eleitor. Em 2014, foram 1,6 milhão – uma queda de 30%.

No Paraná temos um retrato semelhante. Em 2012, o estado tinha 144.203 eleitores com 16 e 17 anos. Já em 2016 foram 109.200, uma queda de 24%.

Quais seriam os motivos para esse afastamento?

A corrupção sistêmica que persiste na democracia brasileira levou a uma descrença no poder transformador do voto. A sensação é que as eleições são só uma formalidade, e na prática tudo permanece como está. Outro problema é a falta de representatividade da política brasileira. Segundo o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, a forma como vereadores, deputados e senadores são eleitos dificulta que o eleitor se identifique com seu candidato. Hoje, quando votamos em um deputado, o voto vai para o partido. Em geral, não sabemos ao certo quem estamos elegendo. Como nos sentirmos representados se não sabemos quem nos representa?

A educação – ou a falta dela – é também decisiva. Faltam políticas públicas e ações nas escolas para incentivar o ingresso de jovens na política. Não há uma política nacional para estimular o debate sobre cidadania. Por fim, os órgãos públicos ainda têm dificuldade para tornar a política algo que desperte o interesse dos jovens.

Até lá, os jovens provavelmente continuarão a usar o direito do voto como pretexto para conseguir assistir Deadpool.

 

Fontes: Tribunal Regional Eleitoral e Tribunal Superior Eleitoral.

 

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