Mulheres na política: dos bastidores ao palco principal

“Mulher não gosta de política” ainda é uma expressão escutada e pronunciada, às vezes muito perto de nós. Muitas pessoas, no dia a dia, sem se darem conta, associam política a coisa de homem. Como futebol, política “não é coisa para mulher”. Aliás, algumas pessoas se incomodam por serem “comandadas” por uma mulher.

Essa história vem de longe. Na Antiguidade, os gregos acreditavam que a autoridade deveria se basear na racionalidade. Escreveram que uma pessoa irracional tende a prejudicar a si e aos outros, mesmo sem más intenções. Como se acreditava que homens seriam mais racionais que mulheres e crianças, eles deveriam mandar na casa, e, claro, governar o país. A política, assim, seria uma atividade exclusivamente masculina.

Sabe a expressão “mulheres e crianças”? Certamente você a escuta toda a hora. É uma ideia muito forte até hoje. Tão forte que as mulheres só conquistariam o direito de votar no século XX. As primeiras foram as finlandesas, em 1906. As brasileiras esperariam até 1932. Já na África do Sul, as mulheres esperaram até 1993, enquanto na Arábia Saudita elas só conheceram as urnas em 2011!

Mas apenas votar não basta. É necessário que as mulheres também estejam na política, nas Assembleias, nas Câmaras, que componhem o Congresso.

Por vezes escutamos “mulher não gosta de política”. Na realidade, não é bem assim. Na experiência do Parlamento Jovem, do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, são simuladas eleições nos mínimos detalhes. Ali, 40% a 60% dos eleitos eram garotas. No Congresso Nacional, por outro lado, apenas 12% dos eleitos são mulheres.

O Brasil ocupa a 154ª posição, de 193, no ranking de ocupação de mulheres nos parlamentos. Em 2016, 30% das candidatas às prefeituras eram mulheres, mas 12% se elegeram. A brasileira Alzira Soriano conseguiu o feito de ser eleita antes de as mulheres poderem votar. Em 1928, foi escolhida como prefeita de Lajes, no Rio Grande do Norte, com 60% de votos, todos masculinos, abrindo caminho para a atuação das mulheres na política.

É um mito que as mulheres não ligam para política. O que faltam são meios e oportunidades que lhes deem voz. Hoje, os partidos políticos tradicionais têm filtros que dificultam o acesso delas à política, uma vez que os partidos privilegiam homens nas convenções partidárias. A seguir, injetam mais recursos nas campanhas deles, diminuindo as chances de que uma mulher se eleja. Para terem chances reais, geralmente elas precisam pertencer a famílias tradicionais, recebendo o apoio de políticos da família.

Há algumas ações para mudar esse quadro. Em maio, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que os partidos devem direcionar pelo menos 30% dos recursos do chamado “fundo eleitoral”, atualmente em R$ 1,7 bilhão de reais, às campanhas de mulheres.

Mas a principal mudança é a de mentalidade. As sufragistas do começo do século mudaram a percepção de que mulheres não deveriam votar. Isso não é mais tabu, mas ainda há resistência em aceitar que mulheres liderem. Elas terão de desafiar as inúmeras manifestações de preconceito e os obstáculos que lhes serão impostos. Com seu esforço e coragem, sua participação não vai acabar nas urnas – elas estarão discursando nas tribunas de todo o país.

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