9 líderes polêmicos que fizeram história

A morte do cubano Fidel Castro, em novembro, revelou opiniões opostas em relação a um dos líderes políticos mais polêmicos do mundo. Assim como ele, outros personagens despertam ao mesmo tempo ódio e admiração nas pessoas.

O Vote Bem preparou uma lista com nove figuras que se destacaram a partir da segunda metade do século 20 e início do 21. Apesar de controversos, todos foram responsáveis por eventos que ajudaram a formar o mundo em que vivemos hoje. Confira:

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1. Fidel Castro
– Principal líder do movimento revolucionário popular que tomou o poder e instituiu um estado comunista em Cuba, em 1959. Fidel Castro comandou o país durante quase 60 anos. Até 1976, como primeiro-ministro. Nos 32 anos seguintes, até 2008, como presidente da República.

Alguns analistas defendem que, sob seu comando, Cuba conquistou índices elevados de desenvolvimento social e humano, em particular alfabetização universal e saúde de qualidade. Outros analistas defendem que sua gestão foi marcada por dificuldades econômicas oriundas pela excessiva estatização, pela censura generalizada e violenta repressão contra dissidentes.

Influência – Fidel influenciou e apoiou movimentos revolucionários populares em todo o mundo, principalmente na América Latina. A implantação do comunismo na ilha do Caribe foi decisiva na relação dos Estados Unidos com a região, em especial durante a Guerra Fria (1945-1991).

Entre as décadas de 60 e 80 do século passado, os norte-americanos apoiaram e financiaram ditaduras militares para combater a expansão do comunismo nas américas. Brasil, Argentina, Uruguai e Chile foram alguns dos envolvidos.

Fidel Castro morreu no dia 25 de novembro de 2016, aos 90 anos.

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2. Mao Tse Tung
– Arquiteto e fundador da República Popular da China, em 1954. Mao Tse Tung chegou ao poder após liderar um exército formado basicamente por camponeses e colocar fim a mais de 100 anos de frequentes conflitos internos e externos no país.

Era considerado um grande estrategista militar, um dos principais teóricos do comunismo, estadista e visionário. Para muitos chineses, Mao criou os fundamentos do processo que levou o país de uma ultrapassada sociedade agrária a uma potência mundial.

Mao acreditava que a salvação da China viria da unificação do povo. Para isso, implantou a chamada Grande Revolução Cultural Proletária (1966). Seu objetivo era substituir todos os valores da população, inclusive religiosos, por conceitos baseados no comunismo. Isolou a China do resto do mundo e reprimiu opositores com violência.

Influência – Apesar de comandar um país extremamente frágil economicamente e com precária força militar, Mao Tse Tung foi um dos mais influentes personagens da Guerra Fria (1945-1991). Sua ação foi fundamental para a consolidação de regimes comunistas no leste da Ásia, como Vietã e Coréia do Norte.

Além disso, conseguiu evitar que seu território fosse ocupado por estrangeiros. Mao respondia a intimidações com ameaças. Ele dizia que poderia perder até um milhão de pessoas em um ataque nuclear sem comprometer sua força, pois a China tinha mais de um bilhão de habitantes.

Mao Tse Tung morreu em 9 de setembro de 1976, com 82 anos.

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3. Adolf Hitler
– Nascido na Áustria, em 1889, mudou-se para a Alemanha aos 24 anos e serviu o exército do país com distinção na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Transformou-se no principal líder do Partido Nazista em 1921, época em que a Alemanha vivia forte recessão econômica.

Hitler organizou uma frustrada tentativa de golpe de estado em 1923, foi preso, mas conquistou apoio popular. Chegou ao poder dez anos depois, quando seu partido venceu as eleições nacionais.

No mesmo ano, começou a implantar nazismo, um regime totalitário, de partido único e ideologia nacionalista. O militarismo nazista recuperou a economia alemã em seis anos.

Influência – O discurso nacionalista de Hitler defendia a eliminação de etnias e grupos considerados “degenerados”, como judeus, negros e homossexuais, e fazia oposição ao domínio de franceses e ingleses na Europa após a Primeira Guerra. Ele é considerado um dos principais responsáveis pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o conflito mais letal na história da humanidade – estima-se que morreram entre 50 milhões e 70 milhões de pessoas.

Sob o comando de Hitler, o regime nazista exterminou mais de seis milhões de judeus e outros indivíduos considerados “indesejáveis”. O evento ficou conhecido como Holocausto.

Adolf Hitler suicidou-se no dia 30 de abril de 1945, aos 56 anos. Segundo as versões oficiais, seu corpo foi incinerado para jamais ser encontrado.

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4. Winston Churchill
– É considerado um dos principais responsáveis pelo fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e articulador da resistência dos britânicos à ameaça nazista durante o período. O político inglês era visto como grande estadista e notável orador.

Foi primeiro-ministro britânico por duas vezes (1940-1945 e 1951-1955). Com pronunciamentos memoráveis, convocou a população a suportar os constantes bombardeios da temida força aérea alemã contra cidades do Reino Unido em 1944. Defendia o Império Britânico e a monarquia.

Churchill foi também militar do exército, historiador, artista e escritor. Ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 1953 com suas memórias de guerra.

Influência – Ganhou notoriedade no parlamento por suas críticas veementes ao nazismo antes da Segunda Guerra. Apelava para que o governo britânico se preparasse militarmente para um possível ataque. No início, suas argumentações não foram bem aceitas e ele era acusado de tentar provocar um conflito militar.

Sua persistência o levou ao cargo de primeiro-ministro, nove meses depois que tropas alemãs invadiram a Polônia, em setembro de 1939. O líder inglês também foi um dos mentores e principal articulador da coalisão internacional que derrotou os nazistas e seus aliados.

No período pós-guerra, Churchill foi fundamental nos tratados que definiram o novo desenho geopolítico do planeta. É dele a expressão Cortina de Ferro usada para designar a divisão da Europa entre os blocos capitalista e comunista durante a Guerra Fria (1945-1991).

Morreu em 24 de janeiro de 1965. Foi sepultado com honras de Estado.

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5. Margaret Thatcher
– Primeira mulher a assumir o posto de primeira-ministra do Reino Unido, cargo que exerceu de 1979 a 1990 (link para a matéria “8 mulheres que influenciaram a política) . Ficou conhecida como “Dama de Ferro” por sua austeridade na administração pública e por seu posicionamento crítico em relação ao sindicalismo e à União Soviética.
Promoveu mudanças profundas na economia britânica com uma abordagem que posteriormente foi chamado de neoliberalismo. A estratégia se baseava em diminuir a participação do Estado nas questões econômicas e envolvia a desregulamentação do sistema financeiro, flexibilização do mercado de trabalho, privatizações e cortes em benefícios sociais.

As medidas reativaram a economia do país no longo prazo, mas produziram aumento das desigualdades sociais e crescimento da pobreza. Durante seu governo, enfrentou seguidos protestos por parte da população, principalmente de movimentos sindicais.

Thatcher perdeu apoio político ao se opor à criação da União Europeia e deixou o governo em 1990.

Influência – A política econômica de Margaret Thatcher serviu de modelo para diversos países nos anos 1980 e 1990, entre eles o Brasil.

Em 1982, a primeira-ministra levou o Reino Unido à guerra contra a Argentina pelo controle das Ilhas Malvinas, arquipélago do Oceano Atlântico próximo à costa do país sul-americano. Sua vitória, conquistada em pouco mais de quatro meses, lhe garantiu popularidade interna e provocou a queda do regime militar argentino.

Thatcher também foi fundamental nas articulações com Estados Unidos e União Soviética no processo que determinou o fim da Guerra Fria, em 1991.

Margaret Thatcher morreu em 8 de abril de 2003, com 87 anos.

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6. Ronald Reagan
– Ator consagrado por Hollywood, foi presidente dos Estados Unidos por dois mandatos consecutivos (1981-1985 e 1985-1989). Formado em Economia e Sociologia, Ronald Reagan assumiu o poder em meio a uma recessão econômica que já durava uma década.

Ele implantou um plano de recuperação chamado de Reaganomics, com medidas semelhantes às adotadas por Margaret Thatcher na Inglaterra. Ao lado da líder britânica, é considerado um dos responsáveis pela criação do modelo neoliberal.

Suas medidas recuperaram a economia, mas triplicaram a dívida pública do país e aumentaram as diferenças entre ricos e pobres. Para alguns especialistas, a estrutura financeira e econômica formada no país a partir do governo Reagan foi responsável pela crise econômica dos EUA em 2008.

Influência – Além de ser visto como um dos mentores do neoliberalismo, Ronald Reagan foi decisivo para o fim da Guerra Fria (1945-1991) e para o aumento da participação dos Estados Unidos em conflitos militares no mundo.

Reagan chegou a apoiar o ditador iraquiano Saddam Hussein na guerra contra o Irã, bombardeou a Líbia e implantou um programa de espionagem no Paquistão e Afeganistão. Também financiou a resistência ao comunismo na África e na América Latina.

Aumentar expressivamente os gastos militares era parte da estratégia de Reagan para abalar a União Soviética. O país comunista não conseguiu suportar a competição pelo poderio bélico no mundo e sua economia entrou em colapso.

O presidente norte-americano também anunciou, em 1982, uma guerra às drogas e liberou recursos para combater o tráfico. Paralelamente, endureceu as regras da imigração em seu país.

Ronaldo Reagan morreu no dia 5 de junho de 2004, aos 93 anos.

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7. Mikhail Gorbachev
– Líder político russo, governou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) de 1985 a 1991. Implantou reformas políticas e econômicas cujos resultados provocaram o fim do regime comunista no país e a dissolução do bloco soviético.

Gorbachev defendia valores liberais, como a abertura econômica do país, a transparência e a liberdade de expressão. Ele introduziu os primeiros elementos da democracia e da economia de mercado na União Soviética.

Enfrentou seguidos protestos de grupos nacionalistas e foi tirado do poder por um golpe organizado por conservadores. Quando deixou o governo, o país passou a se chamar Federação Russa e enfrentava uma das piores crises econômicas e sociais de sua história.

Influência – As transformações iniciadas por Mikhail Gorbachev na União Soviética se espalharam pelo bloco comunista na Europa e determinaram o fim da Guerra Fria. Os governos autoritários caíram pacificamente em quase todos os países, com exceção da Romênia – onde o ditador Nicolae Ceausescu foi julgado e assassinado por revolucionários.

Gorbachev recebeu reconhecimento internacional e levou o prêmio Nobel da Paz de 1990. Na Rússia, entretanto, sua imagem foi abalada pela grave crise econômica e social que se instalou após o fim da URSS.

Mikhail Gorbachev tem 85 anos e atualmente dirige uma fundação que leva seu nome em Moscou.

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8. George Bush
– Sucessor de Ronald Reagan na presidência dos Estados Unidos, governou o país de 1989 a 1993. Destacou-se pelo discurso anticomunista e sua gestão foi marcada por forte crise econômica.

George Bush chegou a ganhar popularidade com ações militares no exterior, mas não foi suficiente para conquistar o segundo mandato nas eleições de 1992.

Em sua última polêmica antes de deixar a presidência, concedeu perdão a seis ex-funcionários do governo acusados de traficar armamentos para o Irã. Todos haviam se declarado culpados.

Influência – George Bush ficou mais conhecido por liderar uma força internacional contra o Iraque na Guerra do Golfo (1990-1991) e originar a primeira grande crise mundial depois da Guerra Fria.

A campanha foi um marco na história militar moderna. As forças dos Estados Unidos apresentaram ao mundo equipamentos sofisticados e com grande poder de fogo. A vitória foi conquistada com extrema facilidade, em apenas quatro meses. Alguns analistas defendem que a guerra agravou as tensões no Oriente Médio.

George Bush tem 92 anos e vive no Texas (EUA).

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9. George W. Bush
– É filho do ex-presidente George Bush e governou os Estados Unidos por dois mandatos, entre 2001 e 2009. George W. Bush estava no poder havia oito meses quando aconteceram os ataques terroristas de 11 de setembro. Quase três mil pessoas morreram.

Como resposta, George Walker Bush iniciou uma guerra global contra o terror com apoio de países europeus. Ao mesmo tempo em que ampliou os gastos militares, sua gestão implantou reformas na economia, educação, saúde e segurança nacional, além de promover um debate sobre restrições à imigração.
A economia dos Estados Unidos cresceu por volta de 2% ao ano em seu mandato. Quando deixou o poder, entretanto, os Estados Unidos enfrentavam a pior crise econômica em mais de 50 anos.

Influência – Em resposta aos ataques terroristas, George W. Bush ordenou uma invasão ao Afeganistão em outubro de 2001. O objetivo era capturar os líderes do grupo Al Qaeda, responsável pelos atentados de 11 de setembro. Tropas dos Estados Unidos permanecem ainda hoje no país asiático.

Em 2003, Bush ordenou a invasão do Iraque sob o argumento de que o país financiava o terrorismo e fabricava armas de destruição em massa. As acusações nunca se confirmaram e os soldados norte-americanos saíram do país em 2011. O conflito deixou de 100 mil a 600 mil mortos, dependendo da fonte de informação. Até hoje gera tensão entre o Ocidente e grupos radicais muçulmanos.

George W. Bush tem 70 anos e é empresário do ramo de petróleo.

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