O que os candidatos a prefeito de Curitiba têm a dizer sobre transporte coletivo

Bem Paraná

A campanha eleitoral começou na semana passada, sob a expectativa da população de que os candidatos apresentem propostas para enfrentar os principais desafios para o presente e o futuro de Curitiba. O Bem Paraná inicia hoje uma série que busca esclarecer as ideias e propostas dos concorrentes à prefeitura da Capital paranaense sobre alguns dos temas que mais preocupam os cidadãos da cidade. As mesmas perguntas foram repassadas a todos os candidatos e as respostas serão publicadas semanalmente.

Para iniciar a série, o primeiro tema são os problemas enfrentados pelo transporte coletivo, que tem perdido usuários, o que agrava ainda mais o déficit financeiro do sistema, motivando seguidas paralisações, além da desintegração parcial com a região metropolitana, em razão das divergências entre a prefeitura e o governo do Estado sobre o subsídio. Confira o que os que se propõem a governar a cidade nos próximos quatro anos têm a dizer sobre isso.

Bem Paraná – O transporte coletivo de Curitiba tem perdido usuários, o que agrava os problemas financeiros do sistema. Além disso, houve o rompimento da integração com a região metropolitana. Especialistas também apontam que ao contrário do que acontecia no passado, o sistema de Curitiba, antes apontado como referência, hoje estaria defasado: o sistema de bilhetagem eletrônica, por exemplo, é visto como ultrapassado – não há a integração temporal, tecnologia já adotada em diversas cidades brasileiras – e a frota está sucateada. Como pretende enfrentar esses problemas?

Rafael Greca (PMN)

A nossa proposta para esse problema passa por um transporte metropolitano integrado com sistema operacional inteligente, como havíamos feito no período em que governei a cidade. A nossa intenção é que haja um cartão único para que o usuário apresente no terminal da cidade de Colombo e possa descer no terminal do CIC, sem que haja duplicidade de pagamento ou troca de ônibus em outros terminais. Além disso vamos desenvolver um aplicativo com sistema que agrega todas as informações em tempo real para o usuário e isso é possível porque há tecnologia disponível para realizar esse serviço. Passa ainda pela renovação da frota que hoje está com tempo grande de uso, exceto pelos veículos movidos a nova energia que circulam na cidade. Quero ainda estimular o uso da rede nos horários de menor demanda com tarifa diferenciada e requalificar os terminais de ônibus que estão mais desgastados. Quero Curitiba referência outra vez para o mundo na área de transporte coletivo, afinal são 253 cidades no mundo que copiaram o que de melhor nossa cidade tinha.

Gustavo Fruet (PDT)

O governo do Estado tirou subsídio do transporte coletivo de Curitiba, mas manteve na região metropolitana. Hoje a tarifa, sem subsídio, é a mais baixa na Região Metropolitana, e a mais baixa em relação ao salário-mínimo. O que precisamos é que o governo do Estado volte a assumir a sua parte, pois não são somente moradores de Curitiba que usam o sistema, mas sim das outras 13 cidades do Estado que estão na Região Metropolitana. A Rede deve ser mantida, mas de maneira sustentável. Só Curitiba continuar a mantê-la, não dá. Curitiba absorve essa diferença e deixa de receber R$ 8 milhões por mês.
Para a próxima gestão, estamos propondo a implantação de faixas exclusiva de transporte coletivo em novas ruas de Curitiba e nas linhas da Rede Integrada de Transporte, além de intervenções na malha viária que integra Curitiba com a RMC, melhorando a mobilidade e o tempo de deslocamento. A diminuição do tempo de viagem é um dos atrativos ao uso do transporte coletivo.

Na área da mobilidade, Gustavo Fruet reforça que Curitiba precisa de um transporte de alta capacidade na região Sul da cidade. Por isso, mantém o projeto do metrô – que espera a confirmação de recursos do governo federal -, e outro de abertura de quatro Propostas de Manifestação de Interesse (PMI) para implantação de quatro linhas de Veículo Leve sobre Trilho (VLT) ou Veículo Leve sobre Pneu (VLP): Linha Verde, Avenida das Torres, eixo Norte–Sul e Cachoeira-Linha Verde.
A atual gestão Curitiba sedimentou as bases para implantar o que se chama de Curitiba Cidade Inteligente, que significa usar intensivamente as tecnologias da informação e comunicação e tais soluções também estão sendo buscadas no transporte público. Dentre elas, está a integração temporal, hoje já implantada em três linhas convencionais, na linha Interbairros 1 e em cinco estações-tubo da Linha Verde.

Sobre a renovação da frota, uma liminar judicial permite às empresas concessionárias não renovarem esta frota e desde 2013 a Prefeitura vem tentando resolver esta questão.

Requião Filho (PMDB)

A frota está sucateada porque existe uma liminar há três anos na justiça que garante aos permissionários não colocar os veículos novos para rodar. Sem contar que temos hoje menos ônibus circulando do que o estabelecido em contrato. O transporte público perde usuários porque as pessoas buscam um transporte bom, rápido e barato. Hoje temos um transporte ruim, lento e caro.Tem como modernizar o sistema, tem como retomar a integração, basta derrubar a remuneração por passageiro e passar a pagar por quilômetro rodado. Além de investir em novos modais. Já foram gastos milhões de reais em pesquisas do metrô e nada aconteceu. É dinheiro bom investido em negócio ruim. Não vejo futuro para este projeto da maneira como está. A nossa alternativa será melhorar o transporte coletivo e investir em VLP, um sistema mais moderno, eficiente e barato.

Ney Leprevost (PSD)

Nos primeiros trinta dias de gestão vou fazer a integração do transporte coletivo com a Região Metropolitana de Curitiba e, em três meses o preço da passagem vai abaixar, além de voltar a tarifa domingueira para que a pessoas possam passear e visitar seus parentes.
Vamos investir em tecnologia para a sincronização de semáforos e estudos de viabilidade de implantação do VLT (veículo leve sobre trilho) no anel ferroviário que corta a cidade, como modal de transporte.
Maria Victória (PP)

“Não é viável o transporte coletivo no Brasil sem subsídio. Devemos ter um bom relacionamento com o governo do Estado e o governo federal para garantir recursos que vão complementar o orçamento da cidade. A frota também precisa ser renovada, um em cada dez ônibus circulando na cidade tem mais de dez anos. Também temos que ter especial atenção com os contratos do setor, para que haja lisura nas licitações e qualidade nos serviços prestados.”

Tadeu Veneri (PT)

O sistema de transporte de Curitiba é o que mais perde passageiros no Brasil. Somente no ano passado o número de usuários dos ônibus diminuiu 8% na cidade. E isso não aconteceu por acaso. O serviço é caro, é ruim e, na primeira oportunidade que têm, as pessoas compram um carro. Para começar a solucionar este problema, primeiro será necessário promover a reintegração financeira do sistema. Outra medida necessária é estabelecer um bilhete temporal, como já é feito em diversas outras cidades, para que, dentro de um intervalo aceitável de tempo, o passageiro possa usar o sistema como melhor lhe convier pagando apenas uma passagem. Depois, é preciso buscar outros meios de financiar a passagem, uma vez que cerca de 90% do valor é custeado exclusivamente pelo usuário, e isso para financiar um sistema que não atende plenamente às suas necessidades de deslocamento. Também é necessário que os terminais deixem de se limitar a locais de passagem para as pessoas e passem a oferecer, por exemplo, fraldários e áreas de convívio onde a população tenha a possibilidade de permanecer. Também pretendemos desenvolver terminais e estações autossuficientes em energia, reduzindo despesas para a prefeitura e tornando o sistema mais sustentável. Além disso, vamos tomar as medidas necessárias para que o projeto do Azulão finalmente saia do papel e surja como alternativa aos usuários do eixo entre os terminais terminais Pinheirinho e Santa Cândida.

Xênia Mello (PSOL)

Vamos enfrentar a máfia que domina o transporte público de Curitiba. O atual prefeito não teve coragem para isso, ao não acatar as recomendações feitas pela Comissão da Análise da Tarifa que ele próprio constituiu no início do mandato. Vamos pedir na Justiça a nulidade dos atuais contratos e do processo licitatório feito no final da gestão do ex-prefeito Luciano Ducci. Licitações que foram apontadas como dirigidas e fraudulentas pela CPI da Câmara Municipal e pelo Tribunal de Contas do Estado. Vamos transformar a Urbs em um consórcio intermunicipal, com a participação de todos os prefeitos, câmaras municipais e conselhos de cidadãos da RMC. Vamos criar uma frota pública e implantar o bilhete único temporal (mensal, semanal e diário), como um degrau em direção à tarifa zero.

Ademar Pereira (PROS)

Nosso pilar central é justamente revolucionar a forma com se dá a relação da cidade com o usuário. Hoje o negócio do transporte público está focado nas empresas, e não no passageiro. A primeira solução é modificar a forma de bilhetagem, implantando um bilhete único. Além de o passageiro poder embarcar e desembarcar onde quiser, sem precisar ficar fechado em terminais e tubos, poderá tomar quantos ônibus quiser – e não somente duas passagens por dia, como é o mais comum hoje. Esse é um modelo muito comum na Europa. Aqui em Curitiba é o usuário que financia todo o sistema, afinal não temos subsídio. Porém ele não pode usar conforme a necessidade. Fazer o bilhete único é uma forma de desestimular o transporte privado e dinamizar a economia, garantindo um amplo direito de ir e vir.

*Até o fechamento desta edição, o candidato do PRP, Afonso Rangel, não havia encaminhado as respostas à reportagem do Bem Paraná.

Vote Bem

O voto é o mecanismo mais poderoso da democracia. É com ele que escolhemos quais serão os representantes de nossos ideais na política.

Saiba mais

Como Votar Bem

Aqui você encontra ferramentas, conteúdos e dicas sobre eleições, voto e processo eleitoral. Coloque em prática seu papel de cidadão consciente.

Saiba mais

Vídeos

Assista aos vídeos produzidos para a campanha Vote Bem.

Saiba mais

Movimento Vote Bem