Brasil elege menos prefeitas em 2016

teresa

O número de mulheres escolhidas prefeitas nas eleições municipais deste ano foi menor do que o registrado no pleito anterior, em 2012. Nos 5.568 municípios onde houve disputa, apenas 641 candidatas foram as mais votadas para administrar suas cidades. Há quatro anos, foram 659 eleitas, o que representa uma ligeira queda de 2,7%.

Leia mais:
5 razões para você não ignorar a política
Brasil deu guinada à direita nas eleições 2016
Descontentamento eleva votos brancos, nulos e abstenções em 2016

Em 2017, os homens vão continuar comandando nove em cada 10 municípios brasileiros, de acordo com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Neste ano, o TSE escolheu justamente o aumento da participação feminina como tema da campanha de conscientização do eleitorado.

Entre as 26 capitais do país, Teresa Surita (PMDB) será novamente a única representante feminina. Ela foi reeleita em Boa Vista com 79% dos votos no primeiro turno e vai administrar a capital de Roraima pela quinta vez.

Das seis candidatas que disputaram o segundo turno realizado no último dia 30, em 57 municípios com mais de 200 mil eleitores, apenas Raquel Lyra (PSDB) venceu em Caruaru (PE). Pela primeira vez, o município do agreste pernambucano será comandado por uma mulher.

Nas Câmaras Municipais, houve uma ligeira alta (1,7%) na eleição de mulheres em relação a 2012. Foram 7.788 candidatas bem sucedidas neste ano, contra 7.655 nas eleições anteriores. Ainda assim, elas ocuparão apenas 14% das cadeiras nos legislativos municipais. Esse número ainda está longe de representar o peso que têm as mulheres na população brasileira, que é de 51%.

Ao comentar os resultados, a ministra do TSE Luciana Lóssio voltou a criticar a baixa representatividade do sexo feminino na política brasileira. “O Brasil vive uma sub-representação feminina muito grande, e a Justiça Eleitoral está, já há algum tempo, de olhos bem abertos para este problema”, disse. Em entrevista ao Vote Bem antes do primeiro turno, Luciana já havia qualificado o quadro nacional como “vergonhoso”.

Crise das esquerdas

Para a socióloga Fátima Pacheco Jordão, fundadora e conselheira do Instituto Patrícia Galvão, a principal explicação para a queda do número geral de eleitas não está relacionada com rejeição ao gênero. O principal fator, segundo ela, foi crise dos partidos de esquerda.

Fátima explica que, historicamente, as legendas de esquerda têm mais mulheres em cargos de direção e apresentam candidaturas femininas mais competitivas. “Com os partidos de esquerda enfraquecidos, especialmente o PT, era natural que houvesse um impacto na eleição de mulheres”, afirma.

A especialista afirma que uma análise mais aprofundada sobre os dados do TSE, que já está sendo feita, deve trazer informações positivas sobre a participação feminina. Ela destaca que houve alta no número de mulheres em outros partidos de centro-direita. “O PSDB, que foi o principal vencedor da eleição, teve um crescimento de 35% nos votos recebidos pelas candidatas e de 85% no contingente de população governado por mulheres. Elas receberam mais votos e vão governar mais gente”, afirma.

Candidaturas-laranja

Apesar de uma lei de 1997 obrigar os partidos políticos a terem pelo menos 30% de concorrentes mulheres ao Legislativo, o uso de candidaturas “laranja” continua no país. Segundo o TSE, mais de 16 mil mulheres foram registradas na disputa para o Legislativo municipal, mas não receberam um voto sequer. Ou seja, não fizeram campanha de fato. Seus nomes foram apresentados pelas legendas para cumprir a cota legal.

A prática, que já vem sendo combatida pela Justiça Eleitoral, ganhou um reforço em outubro. A Procuradoria Geral da República (PGR) ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) requerendo que os partidos sejam obrigados a destinar 30% dos recursos do Fundo Partidário para as candidaturas femininas. O processo ainda será julgado pela Corte.

Segundo Fátima Pacheco Jordão, a medida é positiva para enfrentar a desigualdade de gênero na política e poderia ser complementada com a instituição de cotas com vagas exclusivas para mulheres nos Legislativos. “O maior entrave à participação feminina na política não está no eleitorado, que já demonstrou não ter problema para votar em mulheres, mas nas estruturas patriarcais dos partidos políticos”, conclui.

Já fez o nosso Quiz? Clique aqui e descubra sua orientação política

Vote Bem

O voto é o mecanismo mais poderoso da democracia. É com ele que escolhemos quais serão os representantes de nossos ideais na política.

Saiba mais

Como Votar Bem

Aqui você encontra ferramentas, conteúdos e dicas sobre eleições, voto e processo eleitoral. Coloque em prática seu papel de cidadão consciente.

Saiba mais

Vídeos

Assista aos vídeos produzidos para a campanha Vote Bem.

Saiba mais

Movimento Vote Bem