A culpa não é do sistema, é de quem o corrompe

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Vez ou outras nas conversas sobre política uma dúvida paira: seria o presidencialismo de coalização – uma democracia em que o governo precisa barganhar com vários partidos para governar – o responsável pelo caos institucional que se instalou no país?

O cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná, Emerson Urizzi Cervi, afirma que não se pode culpar o presidencialismo. Segundo ele, seria uma explicação simplista para a situação:

“Do ponto de vista institucional, a explicação para o cenário atual é muito fraca e débil. Pois esse mesmo presidencialismo de coalização, que nós estamos acusando agora de ser o responsável pela crise política, foi um presidencialismo que funcionou muito bem nos oito anos do governo do Fernando Henrique Cardoso, nos oito anos do Lula e no primeiro mandato da Dilma”, relembra.

A crise que se instalou, para o cientista político, é fruto de falta de competência de políticos e lideranças:

“A gente acaba responsabilizando o sistema. Estamos vivendo um período em que a nossa elite política é absolutamente incompetente e irresponsável com o país em função dos seus atos. Eu temo que não seja apenas a elite política incompetente e inconsequente. A nossa elite econômica, a nossa elite cultural também são”, aponta.

O cientista político explica que qualquer sistema só funciona quando seus operadores são bons:

“Se você trocar o sistema, ele só vai servir se os operadores estiverem dispostos a fazer com que ele funcione. Se eles tiverem a mesma disposição, vai dar a mesma”, conclui.

Para ele, a corrupção não está no sistema, mas porque o Brasil não tem controles externos preventivos eficientes, que desestimule o uso indevido dos recursos pelo setor público e privado:

“Quando a gente olha esse monte de denúncias de corrupção e investigações, nós temos que entender que nós não estamos impedindo a corrupção, nós só estamos tornando evidente um sistema de corrupção que já aconteceu. O que vamos fazer é apenas expor as pessoas, uma parte das que se favoreceram, mas nem todas serão expostas. Vamos recolher uma parte dos recursos, mas não vamos recolher tudo”, pontua, citando a Operação Lava-Jato.

Mudar as regras do jogo político, uma eventual reforma, também não seria a solução para o fim da corrupção. Para Emerson Cervi, a solução está nos instrumentos que fiscalizam os gastos públicos, para evitar que os desvios ocorram.

“Nosso problema não é lei eleitoral, o nosso problema é lei de licitação. Como alguém pode ganhar uma obra por 100 e terminar ela por 300? E ninguém fiscaliza? E isso não é objeto de nenhuma atenção prévia? A gente precisa esperar a corrupção ganhar as proporções que ela ganhou para dizer: agora chega. O leite já está derramado, a gente só está enxugando o leite que já foi. A gente precisa evitar que o leite seja derramado”, defende.

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