8 mulheres que influenciaram a política

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Historicamente as eleições não foram positivas para a representação feminina na política brasileira. Em 2016, foram eleitas menos prefeitas do que na eleição anterior.

Nos Estados Unidos, não foi muito diferente. No dia 8 de novembro, os americanos perderam a oportunidade de eleger a primeira mulher para comandar a Casa Branca. A candidata democrata Hillary Clinton foi derrotada na disputa para o republicano Donald Trump.

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Os resultados dos pleitos nos dois países demonstram que a luta pela igualdade de gênero nos círculos do poder ainda está longe de terminar. Mas isso não quer dizer que as mulheres desempenhem um papel secundário na política ao longo da história.

No Brasil e no mundo, são muitos os exemplos de personalidades femininas que, independentemente de suas posições ideológicas, se tornaram protagonistas. Estamos a menos de um ano da próxima eleição, ainda dá tempo de termos mais mulheres nos representando, o Vote Bem selecionou oito delas para mostrar que lugar de mulher também é na política. A seguir, suas histórias:

maria_da_penha_01MARIA DA PENHA – Em 29 de maio de 1983, a farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes sentiu o peso da morte. Aos 38 anos, levou um tiro nas costas do marido, professor universitário, de quem sofria agressões constantes no casamento. Ficou paraplégica.

Mas a dor se transformou em coragem e luta. Primeiro para denunciar o pai de suas três filhas, que chegou a ser preso. Depois, para enfrentar um Estado que pouco fazia para proteger as mulheres vítimas de violência doméstica.

A militância de Maria da Penha, que incluiu uma ação contra o Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), culminou com a edição da Lei 11.340, batizada com o seu nome. Desde 2006, a legislação endureceu as penas para os agressores e contribuiu para reduzir em 10% o número de assassinatos de mulheres no país.

imgMARGARET THATCHER – Em um país marcado pela tradição da realeza, não foi pouco significativa a chegada de Margaret Thatcher ao poder no Reino Unido, em 1979. Filha de pequenos comerciantes, ela ganhou uma bolsa para se formar em química na Universidade de Oxford, onde começou sua militância política. Logo se tornaria uma das principais líderes do Partido Conservador.

Com um estilo considerado duro e rigorosa em suas políticas, foi logo batizada de “Dama de Ferro” e governou por 11 anos. Conduziu uma série de reformas na economia britânica, e foi, ao lado de Ronald Reagan nos Estados Unidos, uma das responsáveis pela retomada do liberalismo como doutrina hegemônica na economia mundial. Thatcher foi a primeira mulher eleita premiê no Reino Unido e nos grandes países da Europa.

mi_4096487324070543ZUZU ANGEL – Estilista brasileira que ficou conhecida internacionalmente pelo seu trabalho inovador na moda e também por enfrentar a ditadura militar em busca do filho, Stuart Angel Jones, militante político preso em 1971 e dado como desaparecido. A batalha de Zuzu contra o governo brasileiro envolveu autoridades dos Estados Unidos e estrelas de Hollywood. Ela criou coleções e desfiles com temas de protesto, inclusive na embaixada do Brasil, em Nova York (EUA).

A história da estilista e suas criações foram destacadas pela imprensa mundial. Ela morreu em um acidente de carro, no Rio de Janeiro, em abril de 1976. Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, em 2104, o ex-agente da repressão Cláudio Antônio Guerra confirmou o envolvimento da ditadura na morte de Stuart. No livro Memórias de uma Guerra Suja, publicado no mesmo ano, Guerra relatou diversos crimes e atentados cometidos pela repressão, entre eles o acidente que matou Zuzu Angel.

rosaparks-460x300ROSA PARKS – Uma simples costureira, que cresceu em uma fazenda e teve de largar os estudos ainda criança, Rosa Parks se tornou um dos maiores símbolos da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos. Aos 42 anos, ela conseguiu esse feito com um ato simples, mas repleto de significado e coragem: se recusou a dar o lugar no ônibus a um homem branco.

O episódio ocorreu em Montgomery, no Estado do Alabama, em 1º de dezembro de 1955. A atitude de Rosade negar o lugar ao branco desencadeou um boicote ao sistema de transporte público local que durou um ano. Os protestos foram apoiados por figuras como o pastor Martin Luther King Jr. e terminaram por conseguir que a Suprema Corte Americana declarasse inconstitucionais as leis que previam esse tipo de segregação.

olga_benario-270x350OLGA BENÁRIO – Nascida em Munique, a judia Olga Gutmann Benário se interessou desde cedo por política. Ainda adolescente, ingressou no Partido Comunista Alemão à revelia do pai, que integrava o Partido Social Democrata.
Em meio à radicalização ideológica na República de Weimar (1919-1935), foi presa e depois acabou partindo para a União Soviética, onde recebeu treinamento militar. De lá, veio para o Brasil, com a missão de ajudar Luís Carlos Prestes a promover uma revolução proletária coordenada por Moscou.

Antes da fracassada Intentona Comunista de 1935, Olga teve um romance com Prestes. Foi presa novamente, dessa vez pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, e entregue ao regime nazista. Em um campo de concentração, deu à luz Anita Leocádia, filha do relacionamento com o revolucionário brasileiro. Foi executada meses depois na câmara de gás.

 

 

gl897651EMMELINE PANKHURST – Foi uma das fundadoras do movimento em favor do voto das mulheres na Inglaterra, no início do século 20. Emmeline começou a militância em diferentes organizações políticas, por volta de 1888. Em 1903, considerando que o discurso moderado não produziria resultados, passou a defender táticas mais agressivas e criou a Women’s Social and Political Union (União Social e Política das Mulheres), uma organização que só aceitava mulheres como membros.

Em 1908, 500 mil ativistas fizeram uma manifestação em Londres para exigir o direito ao voto feminino. Sem respostas positivas das autoridades, o grupo passou a organizar atentados com explosões e atos de vandalismo. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o grupo suspendeu as ações e Emmeline passou a defender valores da pátria. Viajou pelo país discursando em favor da entrada das mulheres no mercado de trabalho enquanto os homens lutavam.

O voto feminino foi instituído na Inglaterra em 1918, após o final da guerra. Emmeline manteve-se atuante na política após o conflito, mas os anos de militância provocaram diversos problemas de saúde. Em 1999, foi eleita pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do século 20.

12552709_777104865756333_6171982650947001158_nROSA DE LUXEMBURGO – Filósofa e economista polonesa, revolucionária e uma das principais teóricas das ideologias de esquerda. Rosa começou a atuar politicamente em 1887, enquanto estudava em Zurique, na Suíça. Seu posicionamento mais radical ficou mais evidente a partir de 1898, quando se mudou de Zurique para Berlim e passou a integrar o Partido Social Democrata da Alemanha.

Em 1900, publicou o livro Reforma ou Revolução?, no qual defende a ruptura com o capitalismo como única forma de construção de uma sociedade socialista. Rosa passou a defender as greves como instrumento de defesa do proletariado. Apesar de seu posicionamento marxista, defendeu preceitos cristãos, argumentando que valores como fraternidade e amor ao próximo são essencialmente socialistas.

Em 15 de janeiro de 1919, Rosa e outros dois colegas foram presos e levados para interrogatório em um hotel em Berlim. O país vivia sob conflitos armados e agitação revolucionária em favor da substituição da monarquia pela república. Os três foram encontrados mortos dias depois. Os detalhes nunca foram conhecidos, mas, em 1999, uma investigação do governo alemão concluiu que paramilitares foram pagos por integrantes do Partido Social-Democrata para assassiná-los.

joanaJOANNA D’ARC – Heroína francesa que virou mártir durante a Guerra dos Cem anos (1337 a 1453), é santa da Igreja Católica e padroeira da França. Em 1429, com 17 anos, Joana D’arc comandou exércitos em batalhas que visavam recuperar territórios franceses ocupados por tropas da Inglaterra.

Joana foi uma das responsáveis por vitórias importantes do seu país durante o conflito que se tornaria um dos mais longos e sangrentos na história da humanidade. Sua imagem geralmente é retratada portando uma bandeira branca que ela conduzia nas batalhas. Capturada pelos inimigos em uma campanha militar na cidade de Compiegne, em maio de 1430, foi julgada e condenada por heresia e assassinato.

Durante os interrogatórios, que duraram quase cinco meses, Joana afirmou que, desde os 13 anos, ouvia vozes aconselhando-a a frequentar a igreja e a lutar pela libertação da França. Ela foi queimada viva em praça pública, no dia 30 de maio de 1431, quando tinha 19 anos. Corrigindo o que consideraria um erro histórico, em 1920 a Igreja Católica canonizaria Joana, que passou a ser considerada santa.

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