10 grandes casos de corrupção no Brasil e no mundo

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A corrupção esteve nas manchetes da imprensa brasileira durante todo o ano de 2016 e continua em 2017. Os casos levantados principalmente pela Operação Lava Jato indignaram o país e alimentaram a grave crise política que provocou o impeachment da presidente Dilma Rousseff, entre outros fatos relevantes. A corrupção, no entanto, não é um problema exclusivo do Brasil.

Casos de desvios de recursos públicos e corrupção empresarial existem ao longo da história, em praticamente todas as nações. Atualmente, o Brasil ocupa a 76ª posição entre 168 países analisados pelo Índice de Percepção da Corrupção (IPC) – ranking criado em 1995 pela ONG Transparência Internacional para classificar a propensão aos desvios de recursos no mundo.

Os mais corruptos, segundo o IPC, são Somália e Coréia do Norte (empatados na 167ª posição), Afeganistão (166º), Sudão (165º) e Sudão do Sul (163º). Já os menores índices de corrupção foram registrados na Dinamarca (1ªcolocada), Finlândia (2ª), e Suécia (3ª).

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Os dados do IPC apontam certa correlação entre o subdesenvolvimento e a corrupção. Segundo especialistas, as instituições políticas nessas nações precisam ser melhor desenhadas e a população ainda não amadureceu o suficiente para coibir mais a prática. Mas também existem casos de corrupção envolvendo somas bilionárias em países da Europa e Estados Unidos.

Segundo Michael Johnston, professor da Colgate University, em Nova York, os americanos, que ocupam hoje a 17ª posição no ranking IPC, levaram 150 anos para obter progresso efetivo contra a corrupção, embora não tenham sido capazes de eliminá-la completamente – o que é impossível. Em entrevista à BBC Brasil, o professor afirmou que é possível registrar avanços no combate à corrupção no Brasil, o que já é motivo para os brasileiros terem otimismo.

O Vote Bem selecionou dez casos rumorosos de corrupção, no Brasil e no mundo, para você relembrar. Confira:

1. Petrobras

O esquema de propinas instalado na Petrobras entre 2004 e 2014 foi eleito o segundo maior caso de corrupção do mundo, aponta pesquisa da Transparência Internacional (TI). A investigação, levada a cabo pela Operação Lava Jato, apura um esquema que pode ter desviado mais de R$ 10 bilhões. São investigados no esquema diretores da estatal, grandes empreiteiras e políticos. Segundo a Polícia Federal, a companhia contratava empreiteiras por licitações fraudadas. As empreiteiras combinariam qual venceria a licitação e superfaturavam o valor da obra. Entre elas se destaca a Odebrecht, a maior do país. Parte desse dinheiro “a mais” era desviado para pagar propinas a diretores da estatal, que, em troca, aprovariam os contratos superfaturados.

2. Ucrânia

O ex-presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, foi considerado o protagonista do maior caso de corrupção do mundo. A avaliação, feita pela Transparência Internacional, levou em consideração o estilo de vida luxuoso do ex-mandatário, deposto em 2014 e que atualmente está foragido na Rússia. De acordo com a TI, Yanukovych vivia em uma mansão que custou “vários milhões de dólares” e fugiu do país antes de ter sido acusado por se apropriar de bens do estado. Entre esses bens, constavam um campo de golfe, um zoológico privado e uma réplica de um galeão espanhol em tamanho real.

3. Panamá

O ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli é acusado pelo desvio de US$ 100 milhões. Multimilionário empresário de supermercados, acumula uma dezena de denúncias por escândalos de corrupção, crimes financeiros e espionagem a opositores durante seu mandato. Vários de seus ministros foram presos por diversos escândalos. Ele também é investigado por espionagem e interceptação telefônica de mais de 150 pessoas durante seu mandato, encerrado em 2014.

4. Fifa

A entidade máxima do futebol mundial é investigada na Suíça e nos Estados Unidos por suspeita de corrupção que envolve um montante de até US$ 150 milhões. Sete dirigentes da Fifa chegaram a ser presos, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da CBF. A denúncia afirma que, de 1991 até o momento, autoridades da Fifa se envolveram em vários crimes, incluindo fraude, subornos e lavagem de dinheiro. A Justiça afirma que duas gerações de dirigentes usaram suas posições para fazer parcerias com executivos de marketing esportivo que impediam outros de ter acesso a contratos e mantinham os negócios para eles por meio do pagamento de propinas.

5. BAE System

A empresa britânica, segunda maior fabricante de aviões militares do mundo, foi acusada de corrupção envolvendo Estados Unidos, Arábia Saudita e em alguns países europeus. Ela pagava comissões a agentes públicos em troca de contratos, que chegariam a 60 milhões de euros. Segundo denúncia do jornal britânico The Guardian, a BAE teria pago, em 2005, 1 milhão de euros a Augusto Pinochet, ex-ditador do Chile.

6. KBR/Halliburton

A empresa de energia americana subornou agentes públicos nigerianos em troca de contratos que atingiam US$ 6 bi, entre 1995 e 2004. O então presidente da KBR, Albert Stanley, foi a dois anos e meio de prisão e pagou multa de US$ 10,8 milhões.

7. Siemens

A companhia alemã, que atua com sistemas eletrônicos de defesa, admitiu ter subornado funcionários públicos da Arábia Saudita e República Tcheca. Somente nos Estados Unidos, pagou US$ 1,4 bilhões em propina a agentes públicos.

8. Alcoa

Fabricante de alumínio, a companhia americana foi acusada de pagar US$ 110 milhões em subornos para obter contratos no Barein. Os pagamentos teriam sido feitos com a ajuda de um consultor que teria conexões com a família real do Barein. Segundo a SEC, o órgão regulador das bolsas de valores americanas, a empresa não teria “os controles internos suficientes para prevenir” o pagamento de propina, que foi registrado de forma inadequada nos seus livros contábeis.

9. Operação Mãos Limpas

Uma das maiores operações anticorrupção da história europeia, a Mãos Limpas, ou Mani Pulite, ajudou a desmantelar diversos esquemas envolvendo tanto o pagamento de propina por empresas privadas interessadas em garantir contratos com estatais e órgãos públicos quanto o desvio de recursos para o financiamento de campanhas políticas. Os suspeitos recebiam incentivos para colaborar com a Justiça (em um esquema semelhante à delação premiada) e, aparentemente, alguns também acabavam confessando seus crimes por desconhecer o teor do depoimento de colegas. Entre os que acabaram implicados no escândalo está o líder do PSI e ex-primeiro-ministro Bettino Craxi. No total, foram investigadas mais de cinco mil pessoas, entre elas, centenas de empresários, funcionários públicos e parlamentares. Alguns suspeitos chegaram a cometer suicídio, como o presidente da ENI, Gabriele Cagliari, e o multimilionário Raul Gardini, um dos empresários mais admirados da Itália até ser implicado no escândalo.

10. Banestado

O escândalo do Banestado envolveu remessas ilegais de divisas para o exterior, na segunda metade da década de 1990. Ocorreu uma investigação federal e a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito em 2003. Pelo esquema do Banestado, foram enviados um total de US$ 19 bilhões ilegalmente para os Estados Unidos da América. As autoridades estadunidenses conseguiram posteriormente recuperar US$ 17 milhões, que foram devolvidos ao Brasil.

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